Fui ontem verificar a situação real do Casarão Pau Preto e acabei conversando com o superintendente Carlos Gustavo Nóbrega de Jesus. Segundo ele, as obras de fundação da parte do Museu e da Biblioteca iriam começar justamente na segunda-feira, quando a adutora do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) rompeu. A parte da Tulha e da entrada já estava com as fundações concluídas, então não foram comprometidas.
O que caiu na verdade foi parte do reboco de cimento colocado para ajudar na sustentação das paredes - parte de tijolos e uma pequena parte de taipa. O risco de desabamento não é iminente, mas existe, por isso o transito foi interditado em frente ao prédio por iniciativa do próprio Gustavo, porque a trepidação do tráfego poderia acelerar o processo.
A situação não é mais grave porque havia dinheiro na Fundaçã para as obras neste exercício, mas depois de concluídas as fundações, não vai sobrar recursos para o reparo das trincas, rachaduras e da parte que ruiu. Daí, será necessário uma aporte emergencial da Prefeitura nesse sentido, caso contrário, novas chuvas podem comprometer ainda mais o prédio histórico.
Os dois acidentes na adutora do Saae foram o estopim para a crise estrutural, mas o Casarão Pau-Preto já vinha sendo castigado pela trepidação causada pelo tráfego intenso de veículos, somada à da construção do edifício em frente - e tem ainda mais dois em construção no entorno. Segundo, Gustavo, diversos ofícios foram enviados à Prefeitura solicitando alguma limitação no trânsito de carros, mas todos ficaram sem resposta.
Em Ouro Preto, cidade que vive da história, o mesmo estavam acontecendo com as construções coloniais, e no ano passado a a Quarta Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais decidiu pela proibição do tráfego de caminhões de carga e outros veículos pesados no centro histórico da cidade. De acordo com o relator, desembargador Hyparco Immesi, estudo técnico realizado sobre o transporte urbano revelou que o tráfego de veículos pesados é de fato prejudicial. O estudo, segundo ele, levou em conta a precariedade e a fragilidade dos imóveis históricos, das vias e do terreno de Ouro Preto. O estudo técnico foi anexado ao processo e revela ainda que "o tráfego de veículos pesados é incompatível com o sistema viário de Ouro Preto, pois a maior parte dos acidentes graves ocorridos na cidade refere-se ao choque de veículos pesados contra fachadas, muros e postes". Destaca ainda o documento que "as vibrações decorrentes do tráfego pesado provocam deformações acentuadas nos terrenos, os quais podem resultar no rompimento de galerias e sobrecarga nos muros de arrimo".
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